Sobre o Crime do Tech Office, ocorrido no dia 19 de agosto de 2022, é preciso deixar claro para os… [ … ]
2 de abril de 2026

Daniel Brandão é sobrinho do governador Carlos Brandão
Sobre o Crime do Tech Office, ocorrido no dia 19 de agosto de 2022, é preciso deixar claro para os leitores que tudo que foi apurado pela Polícia Civil do Maranhão não possui mais nenhum valor jurídico, desde a federalização deste caso em maio de 2025. As investigações realizadas pela Polícia Federal apontam fortes indícios do uso da máquina do Estado para proteger membros da família Brandão.
Também é preciso ressaltar que essa afirmação vem de um depoimento dentro do inquérito da PF que apura o caso, o que tem mais peso processual do que um acordo de leniência ou uma delação premiada, nestes casos, o acusado consegue obter vantagens legais com as informações que oferece. Com relação ao depoimento de Gilbson Júnior, que é réu confesso e já condenado, não obteve nenhuma vantagem no processo legal.
Tivemos acesso com exclusividade ao depoimento ocorrido no dia 19 de fevereiro de 2026, às 15 horas, na Central de Inquéritos dos Tribunais Superiores, em Brasília, onde estavam presentes na audiência Gilbson Cesar Soares Cutrim Junior, a delegada da Polícia Federal e juízes auxiliares dos Tribunais Federais que acompanham o caso. Foram mais de três horas de perguntas e respostas sobre o que aconteceu de fato no dia 19 de agosto de 2022, às 11 horas, no prédio Tech Office.
O começo de uma relação
Gilbson relata ter conhecido Carlos Brandão em agosto de 2020, no edifício João Goulart onde funciona a vice-governadoria no Centro da cidade. Naquela ocasião, os dois foram apresentados pelo ex-vereador Ivaldo Rodrigues, a conversa fluiu bem entre os dois e marcaram outra reunião, desta vez na residência da vice-governadoria, no bairro do Turu, com a presença de Daniel Brandão, onde foram devidamente apresentados e passaram a ter mais contato. Não demorou muito e veio a primeira missão: mediar uma invasão de terras pertencentes a família Brandão, que fica nas proximidades do Porto do Cajueiro, na área Itaqui Bacanga.
O êxito da missão resultou numa proximidade ainda maior entre os dois e, com as garantias de que Brandão assumiria o governo, foi traçado um plano de arrecadação de dinheiro, buscando contratos de fornecedores antigos, acima de 5 milhões de Reais, que ainda não tinham sido pagos, com objetivo de fazer caixa para a campanha de 2022.
Esse núcleo era composto por Daniel Brandão, que na época era Secretário Chefe da Assessoria Especial do Governador, este sobrinho do governador era o braço executivo da operação. Os vereadores Beto Castro e Paulo Vitor eram responsáveis por fazer o contato com os empresários que tinham valores a receber, e o Gilbson Junior era responsável para fazer a cobrança do acerto e o transporte dos valores para o escritório de campanha, no final da Avenida Grande Oriente, na Lagoa da Jansen.
Relação entra em crise
Tudo estava indo bem até o Secretário de Planejamento e Orçamento Luís Fernando Silva detectar alguns pagamentos de contratos antigos, abaixo de Um milhão de Reais e alertar o governador, que perguntou ao sobrinho Daniel “o que estava acontecendo”. Logo em seguida, o sobrinho do governador ligou para Gilbson, para saber o que estava acontecendo; ele tentou explicar que a empresa estava com ordem de bloqueios na justiça e que ficou uma parte retida; os dois discutiram rispidamente. Na sequência, o governador teria pego o telefone e, segundo o depoimento à Polícia Federal, os dois trocaram palavras de baixo calão e ameaças, com Brandão acusando Gilbson Junior de ter ficado com o dinheiro do pagamento; ele teria respondido ao governador que bandido era ele, que estava roubando o Estado; em seguida desligaram o telefone.
Cerca de 10 minutos depois desta conversa, o vereador Beto Castro ligou para Gilbson bastante nervoso e perguntando por que ele tinha “estourado com o governador”. Os dois também discutiram e Beto Castro falou que ele era maluco, por ter ameaçado o governador. Logo em seguida, Daniel Brandão passou a ligar para o Gilbson Junior para marcarem um encontro pessoalmente, para resolver a situação. Gilbson relata no depoimento que Daniel insistiu para ele ir até o QG da campanha, na Lagoa, mas ele ficou com medo de ser assassinado. Foi então que marcaram no edifício Tech Office e que, mesmo sendo próximo ao escritório de campanha, era um local público com grande movimentação de pessoas.
A dinâmica do tiro que saiu pela culatra
Gilbson disse a delegada da Polícia Federal que chegou um pouco antes do horário marcado, para reconhecer o perímetro e viu que o sobrinho do governador chegou numa camionete, juntamente com Marcus Brandão, mas somente Daniel teria descido e, logo em seguida, chegou o vereador Beto Castro com o homem chamado João Bosco Sobrinho.
Os quatro estavam em pé ao redor de uma mesa e mal começaram a conversar, João Bosco começou a ameaçar Gilbson Junior, falando que “ele teria que pagar o combinado, porque ele tinha arranjado a empresa”; os dois passaram a discutir e trocar ameaças, quando Beto Castro chamou todos para conversarem na camionete, para não chamar a atenção; Gilbson saiu andando na frente pensando que iriam para a camionete onde estava Marcus Brandão, mas quando percebeu que era outro carro, ficou desconfiado de que estava indo para uma emboscada, então voltou e disparou, matando o João Bosco. Com o alvoroço causado com os disparos, Marcus Brandão se assustou e saiu rápido com o carro e Daniel Brandão teve que entrar correndo no Tech Office.
O silêncio comprado que vazou
A partir do crime e do leite derramado, o governo passou a trabalhar para ocultar a presença de Daniel Brandão na cena do crime, desde os depoimentos na Polícia Civil, até negociar o silêncio de Gilbson Junior e sua família, usando a estrutura do Estado, através de pagamentos regulares, como garantia de cooperação.
Também em depoimento à delegada da Polícia Federal em Brasília, o pai de Gilbson entregou todos os comprovantes de pagamento do governo e o seu aparelho de celular, de onde foram extraídas conversas com Marcus Brandão, marcando encontros para pagamentos e manutenção do silêncio da família.
Gilbson Junior entregou uma relação de contratos, pagamentos, recebimentos de propina e valores em espécie, que eram transportados constantemente para o quartel general da campanha; soma-se a tudo isso as medidas cautelares despachadas pelo STF, como a quebra de sigilo bancário e telefônico dos envolvidos nesse caso.
Diante da gravidade do caso, dos elementos probatórios colhidos na investigação e da tentativa do governo de se meter numa investigação já federalizada, com o objetivo de, mais uma vez, confundir a opinião pública com seu cartel de mídia alinhado ao seu projeto de poder, em breve a família Brandão terá muito que explicar nos tribunais superiores.
Com informações do Blog Os Analistas
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