O governador Carlos Brandão desembarcou neste sábado (11) em solo pinheirense para uma daquelas celebrações que fariam inveja aos grandes… [ … ]
11 de abril de 2026

O governador Carlos Brandão desembarcou neste sábado (11) em solo pinheirense para uma daquelas celebrações que fariam inveja aos grandes festivais de música. O motivo de tanta pompa? A entrega de um tapa-buracos na MA-106. Isso mesmo que você leu: o governo fez festa, com direito a boi no rolete, para celebrar a manutenção básica de uma rodovia.
O tom de ironia já começou no anúncio. A obra foi feita de forma tão silenciosa — ou talvez tão discreta — que pegou a população de surpresa. Ninguém sabia que o asfalto estava sendo retocado até que o cheiro do churrasco e o som do foguetório começaram a ser preparados.
É o novo conceito de gestão: transformou-se a obrigação rotineira de tapar buracos em um evento de gala, enquanto o cidadão, que paga seus impostos para ter estradas minimamente trafegáveis, foi convidado a bater palmas para o “presente” recebido.
Enquanto o boi girava no rolete da MA-106, a memória do povo de Pinheiro girava em torno de promessas que parecem ter ficado presas em algum buraco que o governador esqueceu de tapar. Se para um remendo no asfalto teve festa, para as grandes obras o silêncio foi ensurdecedor: Duplicação Pinheiro-Pacas: Lembra dela? Aquela que ia mudar a mobilidade da região? Continua apenas no papel e na imaginação; Revitalização da Praça José Sarney: Outra promessa que recebeu atenção no discurso, mas não viu uma gota de suor no canteiro de obras; Revitalização do Parque do Babaçu: Em julho passado, o governador veio, assinou ordem de serviço, posou para fotos e garantiu que o projeto sairia. Até agora, o único movimento no local é o crescimento do mato.
A estratégia foi clara: na falta de entregas estruturantes e de grande impacto, apelou-se para o populismo gastronômico. Foi muito mais fácil assar um boi e comemorar um asfalto (que já deveria estar pronto há tempos) do que explicar por que as ordens de serviço assinadas meses atrás não se transformaram em tijolo e cimento.
Para quem foi à festa hoje, fica a reflexão: aproveitaram o boi, porque a duplicação, a praça e o parque continuam sendo itens de um cardápio que o governador insiste em não servir. Resta saber se o eleitor pinheirense vai se contentar com o “tapa-buraco” ou se vai cobrar as obras que ficaram esquecidas no palanque de julho.
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