A relação com os povos indígenas do Maranhão escancara dois estilos radicalmente opostos de se fazer política: de um lado,… [ … ]
26 de agosto de 2026

A relação com os povos indígenas do Maranhão escancara dois estilos radicalmente opostos de se fazer política: de um lado, quem pisa o chão da aldeia, constrói vínculos e entrega de políticas públicas concretas o candidato Felipe Camarão. Do outro, Orleans Brandão, o sobrinho do governador, que encena representatividade em gabinetes climatizados, distribui promessas de ocasião e ignora as aldeias maranhenses, em sua proposta de plano de governo.
A diferença abissal pode ser observada na Aldeia Escalvado, em Fernando Falcão. Em 2018, quando ocupava o cargo de secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão entregou a Escola Indígena Amidipê Canela, considerada a maior unidade do programa Escola Digna na região. A escola foi concebida respeitando a cultura, a identidade e a dignidade pedagógica do povo Canela. O reconhecimento dessa presença viva e concreta veio da própria comunidade: em ritual sagrado, a ancestralidade Canela batizou Felipe com o nome Agwanã: que significa forte, resistente e corajoso. Uma história real construída dentro da aldeia, com poeira no pé, afeto mútuo e obras entregues.
A quilômetros dali, sem nunca ter colocado os pés no território indígena, o candidato sobrinho do governador Carlos Brandão, Orleans Brandão encena o marketing de gabinete. Em vez de ir às aldeias ouvir as comunidades em seu próprio território, Brandão preferiu receber dez indígenas no conforto do ar-condicionado de seu escritório para gravar vídeos de conveniência eleitoral para as redes sociais.
O tratamento dispensado por Orleans Brandão aos participantes também chamou atenção. Enquanto o sobrinho do governador mencionou nominalmente aliados políticos, entre eles a prefeita de Fernando Falcão, Raimunda do Josemar, o ex-prefeito Adailton Cavalcante e o prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles; os dez indígenas presentes, sentados à mesa sob o rótulo de “cacicada de Fernando Falcão”, restou o silêncio: nenhum nome, nenhuma etnia e nenhuma liderança foram citados. Para os coronéis e prefeitos aliados, tratamento com nome e sobrenome; para os povos originários, o anonimato e o papel de cenário.
O contraste entre o discurso da reunião e a proposta para o plano de governo do Orleans é evidente. Embora o sobrinho do governador tenha mencionado demandas de saúde e infraestrutura indígena, o plano não apresenta propostas para acesso viário, obras estruturantes ou atenção básica.
A palavra “aldeia” sequer aparece no documento. Já as referências a “indígenas” e “povos originários” são genéricas: há apenas uma menção ao Ensino Médio em Tempo Integral, sem detalhar a educação escolar indígena, e outra à bioeconomia, limitada aos saberes tradicionais como fonte de pesquisa.
O contraste é definitivo: enquanto Felipe Camarão entra na aldeia, ergue escolas e recebe a honra de ser batizado pelo povo Canela, Orleans Brandão limita sua política a uma encenação em escritório climatizado para gerar vídeos de redes sociais, agradar aliados locais e esconder um plano de governo que passa longe da realidade das aldeias maranhenses.
0 Comentários