A política maranhense acaba de mostrar mais uma de suas faces mais curiosas — e contraditórias. Mesmo com o seu… [ … ]
29 de julho de 2026

A política maranhense acaba de mostrar mais uma de suas faces mais curiosas — e contraditórias. Mesmo com o seu partido, o PSB, integrando a coligação oficial ao lado de Felipe Camarão, candidato do PT apoiado pelo presidente Lula ao governo do Estado, o deputado estadual Otelino adotou uma postura que já está sendo chamada de “jogo duplo”: na teoria, permanece junto à chapa petista; na prática, age para impedir que qualquer nome do seu grupo seja indicado para compor a chapa majoritária — e, ao mesmo tempo, entrega aliados importantes para o outro lado da disputa.
Nos bastidores, a tendência mais forte era que o PSB indicasse para a vaga de vice-governador o nome de Claiton Noleto, liderança expressiva da cidade de Imperatriz, no Sul do Maranhão. A indicação representaria ainda mais equilíbrio e representatividade regional à chapa de Felipe Camarão. Mas a articulação não avançou: o deputado Otelino não permitiu que nenhum filiado seu ocupasse esse espaço, mantendo o partido na aliança sem, contudo, contribuir efetivamente para a sua consolidação.
E o que mais chama a atenção é o movimento dos aliados mais próximos. Prefeitos que receberam recursos garantidos graças às emendas do próprio Otelino e da senadora Ana Paula — como Raimundo Lídio, de Paulino Neves — já declararam apoio oficial a Eduardo Braide, adversário direto de Felipe Camarão na corrida ao Palácio dos Leões.
A situação expõe com clareza a estratégia: o partido permanece formalmente ao lado de Felipe Camarão, mas a base comandada por Otelino caminha com força na direção de Braide. É o que muitos já definem como “cabeça na coligação, mas corpo na oposição”.
Para a população, a dúvida permanece: se a aliança é real, por que bloquear a indicação de um nome próprio para a vice? Se o compromisso existe, por que entregar prefeitos beneficiados por recursos parlamentares ao candidato contrário?
O “jogo duplo” está escancarado: enquanto a legenda aparece na coligação oficial, a articulação real segue caminho oposto — e o eleitor fica a cada dia mais atento a quem realmente está com quem nesta disputa.
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