A investigação sobre o suposto esquema de obstrução de justiça e perseguição ao ministro Flávio Dino, no Maranhão, revelou um… [ … ]
12 de agosto de 2026

A investigação sobre o suposto esquema de obstrução de justiça e perseguição ao ministro Flávio Dino, no Maranhão, revelou um elemento ainda mais grave: Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo Carlos Brandão, é acusado pela Polícia Federal de ter usado suas credenciais de agente público para acessar sistemas de inteligência restritos e obter dados sigilosos sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal.
Segundo a PF, Cutrim teria se prevalecido de sua condição de autoridade para acessar informações protegidas, incluindo placas reservadas, imagens, vídeos e registros de circulação de veículos usados por Dino e seus familiares. Tudo isso foi repassado ao jornalista investigado no caso.
A apuração conclui que o material sigiloso foi usado na produção de reportagens que questionavam o suposto uso irregular de veículos oficiais pelo ministro. A Polícia Federal identifica ainda que as imagens e registros captados por câmeras de monitoramento veicular, em sistema de acesso restrito, foram encaminhados por Raimundo Cutrim ao blogueiro Luís Pablo. O uso da estrutura de inteligência do Estado para acompanhar e levantar dados sobre um ministro da mais alta Corte do País aprofunda a gravidade das acusações.
Além do acesso indevido a informações protegidas, as investigações localizaram um pagamento de R$ 100 mil feito ao jornalista por intermédio do advogado Diogo Diniz Lima, também apontado como informante. O valor teria origem em conta de parente de Raimundo Cutrim, levantando a suspeita de que se tratava de remuneração para produção de conteúdo direcionado politicamente contra Flávio Dino.
O processo tramita sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Em diligências anteriores, foram apreendidas 26 armas em endereços ligados ao ex-secretário. A defesa de Raimundo Cutrim declarou ver a decisão com “estranheza e preocupação”. Por sua vez, entidades da imprensa manifestaram preocupação com a quebra do sigilo da fonte, apontando eventuais riscos à liberdade de expressão e ao trabalho jornalístico.
Fonte: Filipe Mota — 12/08/2026, às 11h49
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